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10.03.14 - Imagine se colocassem fogo em um ônibus dentro da sua loja...

Vocês se lembram daquelas manifestações no meio do ano passado? Começaram por alguma razão (que ninguém mais lembra), mas se alastraram de forma frenética, contra tudo e contra todos.

Elas foram o que mais representa o estado de espírito reinante - eu não aguento tudo isso mais! - o que em geral significa que algum ônibus será queimado, ou seja, INSUBORDINAÇÃO NO TRABALHO.

Bom, e o que isso tem a vem com sua loja e sua equipe?
No passado era comum ver os empresários reclamando da improdutividade dos funcionários. De como era difícil encontrar pessoas comprometidas. De fato, essa era uma realidade, mas havia ali um cenário que mantinha as coisas seguindo, a aceitação do comando (hierarquia do funcionário pelo proprietário, do funcionário por sua chefia e do funcionário pelas responsabilidades de outro funcionário).
Ao longo dos tempos, em busca de melhor desempenho e satisfação dos funcionários no local de trabalho, as empresas passaram a lidar de forma profissional (implantação de RH) com os problemas pessoais dos seus colaboradores, parte pela competência do funcionário que se faz necessário para empresa e parte pela legislação vigente.

De lá para cá algumas mudanças rolaram:
• Há uma sensação de pleno emprego – as pessoas acreditam que há muitas vagas no mercado e que não precisam se subordinar (na verdade, quando voltam ao mercado percebem que as vagas existentes não são acessíveis para a maior parte das pessoas, uma vez que não estão qualificadas. Emprego bom só aparece para quem já está empregado...).

• Há uma sensação de poder quanto à oportunidade de montar seu próprio negócio – muitos de nós começamos assim, enxergando uma oportunidade de apostar muito (e com muito suor) nela. A maior parte das pessoas, contudo, não sabe distinguir o que é ter uma competência e ter um negócio....

• As pessoas estão mais insatisfeitas com o que ganham (e aí não importa quanto isso seja). Elas sempre querem consumir mais do que podem.

• As pessoas estão com mais problemas familiares, pois tudo o que foi dito também refletiu de alguma forma nas outras pessoas da família. Hoje impera o egocentrismo, e quando cada um só vê sua parte, não há relacionamento familiar que resista.

• Por tudo isso, o funcionário começou a se tornar mais insolente (em algumas empresas) ou apático (em outras). O proprietário se desespera. Ou porque não consegue deles o rendimento que precisa, ou porque não acha ninguém para substituí-los ou ainda por que acaba sendo refém de uma situação desconfortável dentro da própria loja (não sabendo como lidar com o problema).

No fundo, sabemos que tudo que está ruim ainda pode melhorar. É como se tocassem fogo em um ônibus dentro da sua loja....

A equipe traz para o ambiente de trabalho seus problemas familiares, suas angústias existenciais e os comportamentos passam a ser bipolares (passam a desenvolver um comportamento estranho, podendo colocar a credibilidade da empresa em cheque). E o que é pior, nunca é um caso isolado. O comportamento irracional de um faz com todos à sua volta também se comportem assim.

Vocês já tiveram essa sensação que descrevo ou será que eu é que tô pirando?
Converso com muitas pessoas, de diversos tipos de negócios e em todos os lugares tenho ouvido reclamações do mesmo tipo. “Aquele lugar é um inferno para trabalhar”.
Bom, em primeiro lugar isso é geral. Alivie-se, não é um problema particular seu. Ele é fruto de um momento de instabilidade da sociedade (como aquelas manifestações do ano passado mostraram – contra tudo e contra todos).

Em segundo luga, ela ainda pode ficar pior. Com a Copa, infelizmente, o estresse vai aumentar. Vai aumentar, pois o trânsito vai piorar. Vai piorar a qualidade de muitos serviços que você usa. Seu tempo vai ficar ainda mais apertado. Seus custos fixos continuarão e pode ser que sua receita não se mantenha durante o evento.

O mercado sofrerá uma baixa de consumo levando os funcionários a menos atividade no local de trabalho e mais tempo ocioso, com brincadeiras  e conversas que não agregam valores à empresa. E a consequência disso???

• menos empenho na força de vendas
• menos faturamento
• mais conflitos
• mais estresse
• = ônibus pegando fogo dentro da sua loja...

E o que fazer a respeito?
Pois é...
Queria eu saber. Isso tudo é muito novo. Nunca passamos por isso antes e aquilo que criou esse caos vai permanecer. Assim, tudo que podemos pensar é que tratando as coisas da mesma maneira que fizemos antes, não conseguiremos resolver essa nova realidade.
Assim, selecionei algumas pistas para você se inspirar:

• Procure sua sanidade mental – eu sei que o tempo está curto, mas ache um jeito de caminhar, fazer academia ou aquela massagem. A base de sua estrutura para enfrentar tudo isso é sua cabeça.

• Procure a saúde emocional da sua família – escute mais. Seja atenciosa (o). Tome iniciativas para agradar. Cobre que isso aconteça também (mas de maneira bem humorada). Tem o poder aquele que tem iniciativa de mostrar como se faz.
• Repense a estrutura da sua empresa. Analise sua estrutura e seu faturamento de equilíbrio. Mude seu modelo de negócios. Quanto maior o faturamento de equilíbrio, maior a pressão para alcançá-lo. Quanto maior a pressão por volume, maior a pressão. Faça mais serviços e menos produtos. Faça mais valor e menos serviços. Faça mais intermediação do que entregas.

• Pratique a indiferença (por mais estranho que isso possa parecer). Em negócios pequenos, a proximidade do proprietário com a equipe acaba criando um ambiente confuso. É difícil não se interessar ou se envolver por problemas pessoais dos outros, mas quando fazemos isso, trazemos o problema para dentro do ambiente de trabalho. Se o limite do respeito à hierarquia ou as reponsabilidades de cada for perdido, tudo estará perdido. Saiba separar as coisas. Reflita sobre como equilibrar consideração (às dificuldades pessoais) com comando (fazer com que as regras de conduta sejam cumpridas). Não é porque ele é o melhor vendedor ou o funcionário mais antigo que não pode ser despedido.

• Saiba dar mais espaço e reconhecer a iniciativa. Use os programas de qualidade para permitir que a energia da equipe seja usada para a inovação da loja. Lance desafios. Premie resultados. Vamos direcionar toda a energia que hoje está solta e voltada para o ti ti ti, para algo útil e criador. As pessoas se motivam com resultados, com a possibilidade de serem ouvidas e com o reconhecimento.
Uma coisa não mudará jamais: todos se dedicam mais quando estão emocionalmente envolvidos com um assunto. Hoje, o pior dos cenários é o refrão daquela musica “deixa a vida te levar”. Ao acaso só teremos o caos.
Crie uma agenda, fixe um caminho. Desenhe um sonho.
Primeiro para você. Depois para sua família. Daí então para seu negócio. Enfim, faça isso para sua equipe. Para aqueles que vierem juntos, dê suporte. Para aqueles que forem apáticos, dê a oportunidade para que encontrem seu caminho, em outro lugar....

Augusto Aki – www.negocioscomflores.com.br