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19.03.14 - Câmara fria: vale a pena ter uma?

Neste ano, o verão - em Curitiba e no Brasil inteiro - teve momentos de calor acima da média. Na capital paranaense, por exemplo, as temperaturas chegaram a 35,5ºC — o maior índice das últimas três décadas, segundo o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar). Nas praias paranaenses, o calor atingiu 40ºC e a sensação térmica ultrapassou os 45ºC. Com as temperaturas em alta, vale a pena ter uma câmara fria na floricultura? Essa foi a pergunta do aluno do primeiro módulo do curso de floristas da Almeida Flores de 2014, Eli Araújo.

Araújo está prestes a abrir uma floricultura em Pontal do Paraná, no litoral do Estado. Ele estuda agroecologia na Universidade Federal de Matinhos e há 27 anos é atendente de farmácia. Para o seu novo negócio, visualiza uma loja diferente. Junto com as flores pretende ter Pet Shop e veterinária. Porém, para ele a grande questão é a manutenção das flores em uma região que, no verão, é muito quente. “Estou fazendo o curso para aprimoramento e para aprender sobre a conservação das plantas. O curso é justamente para isso. Para começar conhecendo um pouco mais sobre o segmento”, diz.

Para Gláucia Correia, vendedora técnica da Isorevest - fábrica de câmaras frias que fica em Ribeirão Pires, na região do ABC paulista - de modo geral, um ambiente climatizado é sempre importante em uma floricultura. Gláucia afirma ainda que, para uma melhor conservação, as flores devem permanecer em uma temperatura entre 5º C a 0º C. “Eu digo de modo geral, porque tanto as flores mais tropicais, ou outras, como por exemplo, as rosas, precisam ficar nessa temperatura para ter uma maior durabilidade, o que gera um melhor aproveitamento do material. Além disso, muitas floriculturas têm vários freezers. Tem lojas que possuem até 10 freezers para dar suporte à demanda, e isso consome muito energia. No caso da câmara fria, o gasto com o consumo de energia ficaria 30% menor do que esse amontoado de freezers”, diz.

De acordo com Wagner Almeida, proprietário da Almeida Flores, em uma cadeia de produção todos os floricultores possuem câmara fria. “Eles colhem o produto e já transportam para uma área climatizada, da área climatizada a flor passa para a câmara fria. O caminhão é com câmara fria, a cooperativa também tem a área climatizada e câmara fria, e a Almeida dá sequência na cadeia de câmara fria em distribuição, porque o nosso boxe no Veilling é climatizado. Então a flor sai da área climatizada e vai para o caminhão climatizado e vem para nossa câmara fria. Com essa estratégia a gente ganha uma durabilidade do produto de três ou quatro dias a mais, o que gera economia, em questões de perdas da matéria-prima”, conta.
Para Almeida, toda floricultura deveria ter uma câmara fria porque a cada ano que passa o clima está mais descontrolado. “É quente demais. Na região sul ainda é um período não tão longo de calor, mas hoje, em São Paulo, praticamente todas as floriculturas têm câmara fria. Não só São Paulo como o Nordeste. Todas têm, e os produtores também investem muito nisso. Se não tiver uma câmara fria as perdas são maiores”.

Respondendo, então, à pergunta de Araújo: sim, vale a pena ter uma câmara fria na floricultura, porque ela conserva melhor as flores, e isso gera menos perdas de matéria-prima. A economia nessa conservação se reverte em um rendimento a mais para o floricultor.

Quanto custa?

O florista que deseja ter uma câmara fria em sua loja gastará cerca de 15 mil reais, mais a montagem, que varia de acordo com o local. Esse valor refere-se a uma câmara de 2,30m de largura, por 3,45m de profundidade e 2,50m de altura. O preço da instalação oscila de acordo com o tamanho, o local onde ela vai ser instalada e os assessórios que serão utilizados. 

Para Wagner Almeida as despesas em construir uma câmara fria podem ser recuperadas em um ano de trabalho, somente com um melhor aproveitamento da matéria-prima e através da economia de energia.
Além de ser um lugar para a conservação de flores, também é possível transformar a câmara em vitrine. “Ela pode ser instalada na frente da loja, com um vidro que dá para a rua, por exemplo. Quando o cliente passa por ela, vê as flores em exposição dentro da câmara fria. Isso é uma vantagem e um diferencial porque as flores, dentro dessa câmara, sempre estarão frescas”, diz Gláucia.

Mas o mais importante é chegar ao ponto de equilíbrio entre temperatura, umidade e o tipo de flor que será acondicionada. Espécies como a strelitzia, o antúrio e a helicônia não gostam de ficar na geladeira. Já os lírios não abrem as flores a não ser que estejam numa temperatura ambiente que varie de 30 a 35 graus. Além disso, é importante observar que o frio abaixo de zero grau pode “cozinhar” as plantas, por isso é preciso ter cuidado com os freezers. Almeida explica que a temperatura ideal de conservação deve oscilar de 3 a 5 graus. “Mesmo com todo o cuidado que temos e com o conhecimento das nuances de cada flor, com o calor que vivemos nos últimos dias, a perda de material aumentou para 2%. O normal é que seja 1,5%. Imagina se não tivéssemos a câmara fria que temos”, diz Wagner Almeida.